Pentecostes – A Vinda do Espírito Santo

Pentecostes – A Vinda do Espírito Santo

No próximo domingo será celebrada a Solenidade de Pentecostes, dia em que os cristãos recordam quando Jesus, depois de sua Ascensão ao céu, enviou o Espírito Santo aos seus discípulos. Posteriormente, os apóstolos saíram às ruas de Jerusalém e começaram a pregar o Evangelho e “os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos”.

O que significa o nome Pentecostes?

Provém da palavra grega que significa “quinquagésimo” (pentecoste). O motivo é porque Pentecostes é o quinquagésimo dia (em grego, pentecoste hemera) depois do Domingo da Páscoa (no calendário cristão).
Este nome começou a ser usado no período final do Antigo Testamento e foi herdada pelos autores do Novo Testamento.

Que tipo de festa Pentecostes foi no Antigo Testamento?

Foi um festival para a colheita e significava que estava chegando ao seu fim. O Livro de Deuteronômio capítulo 16 diz:
“Contarás sete semanas, a partir do momento em que meteres a foice em tua seara. Celebrarás então a festa das Semanas em honra do Senhor, teu Deus, apresentando a oferta espontânea de tua mão, a qual medirás segundo as bênçãos com que o Senhor, teu Deus, te cumulou” (Dt 16,9-10).

O que Pentecostes representa no Novo Testamento?

Representa o cumprimento da promessa de Cristo ao final do Evangelho de São Lucas:
“Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,46-49).

Como é simbolizado o Espírito Santo nos eventos no dia de Pentecostes?

O capítulo 2 de Atos dos Apóstolos recorda:
“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.

Esta passagem contém dois símbolos do Espírito Santo e sua ação: o vento e o fogo.

O vento é um símbolo básico do Espírito Santo; a palavra grega que significa “Espírito” (Pneuma) também significa “vento” e “sopro”. Embora o termo usado para “vento” nesta passagem seja ‘pnoe’ (um termo relacionado com pneuma), ao leitor é dado entender a conexão entre o vento forte e o Espírito Santo.

Em relação ao símbolo do fogo, o Catecismo assinala:
“Enquanto a água significa o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo. O profeta Elias, que ‘apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente’ (Eclo 48,1), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma o que toca. João Batista, que ‘irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias’ (Lc 1,17), anuncia Cristo como Aquele que ‘batizará no Espírito Santo e com o fogo’ (Lc 3,16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: ‘Eu vim lançar fogo sobre a terra e quanto desejaria que já estivesse aceso!’ (Lc 12,49). É sob a forma de línguas, ‘uma espécie de línguas de fogo’, que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de dele (At 2,3-4). A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo (cf. São João da Cruz, “Llama”). «Não apagueis o Espírito!» (1 Ts 5,19)” (CIC696).

Há uma ligação entre as “línguas” de fogo e o fato de os discípulos falarem em outras “línguas” nesta passagem?

Sim. Em ambos os casos a palavra grega para “línguas” é a mesma (glossai) e o leitor é destinado a entender a ligação.

A palavra “língua” é utilizada para significar tanto uma “chama (de fogo)” como o “idioma”.

As “línguas como de fogo” que se distribuem e pousam sobre os discípulos fazem com que comecem a falar milagrosamente em “outras línguas” (ou seja, os idiomas).

Indo mais além, podemos considerar o seguinte: Deus é um deus de ordem. Ele cria o Cosmos a partir do Caos, isto é, cria tudo a partir do nada. Dar ordem aqui é organizar, é fazer sentido, esclarecer, expressar claramente, fazer-se entender. O Verbo Divino, que é Jesus Cristo, manifesta-se aos Homens pela unção do Espírito Santo, que o move. Assim, enquanto no Antigo Testamento vemos acontecer a desordem no evento da Torre de Babel (Gn 11,1-9), no Novo Testamento, em Pentecostes, ocorre o contrário. Enquanto no AT o que move o coração do Homem é o desejo de tornar-se célebre, famoso e alcançar o patamar de Deus para igualar-se a Ele, no Novo Testamento, é o Espírito Santo que age no coração dos discípulos que estão amedrontados e escondidos, dando-lhes coragem e ímpeto. Resultado: nasce uma nova língua com Pentecostes, a língua do amor.

Quem é o Espírito Santo?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o Espírito Santo é a “Terceira Pessoa da Santíssima Trindade”. Ou seja, havendo um só Deus, existem Nele três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.

É importante frisar que o Espírito Santo não inferior ao Pai nem ao Filho, Jesus Cristo, por ser apresentado em terceiro lugar. Embora possa parecer mais misterioso que o Pai e o Filho, é tão pessoa quanto eles. Não é um deus, assim como o Pai e o Filho não são outros deuses. Os três formam a Santíssima Trindade, ou seja, um só Deus em três pessoas. E estas são inseparáveis, indivisíveis em si mesmas e consubstanciais.

"Quando o Pai envia seu Verbo, envia sempre seu Sopro: missão conjunta em que o Filho e o Espírito Santo são distintos mas inseparáveis. Sem dúvida, é Cristo que aparece, ele, a Imagem visível do Deus invisível; mas é o Espírito Santo que o revela". (CIC 689)

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo da história (Gn 1,2) até sua consumação (Apo 2,7a), mas é nos últimos tempos, inaugurados com a Encarnação, que o Espírito se revela e nos é dado, quando é reconhecido e acolhido como pessoa.

O que significa a festa de Pentecostes para nós?

A solenidade de Pentecostes é uma das mais importantes no calendário da Igreja e contém uma rica profundidade de significado. Desta forma, Bento XVI a resumiu em 27 de maio de 2012:
“Esta solenidade faz-nos recordar e reviver a efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos e os outros discípulos, reunidos em oração com a Virgem Maria no Cenáculo (cf. At 2,1-11). Jesus, tendo ressuscitado e subido ao céu, envia à Igreja o seu Espírito, para que cada cristão possa participar na sua mesma vida divina e tornar-se sua testemunha válida no mundo. O Espírito Santo, irrompendo na história, derrota a sua aridez, abre os corações à esperança, estimula e favorece em nós a maturação na relação com Deus e com o próximo”.

O que significa pecado contra o Espírito Santo?

«Em verdade vos digo: Que aos homens serão perdoados todos os pecados, e as blasfêmias que proferirem; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, pelo contrário é réu de um pecado eterno.» (Marcos 3,28-30)

Para entender melhor o assunto, é preciso lembrar que uma das obras mais importantes do Espírito Santo é levar os seres humanos ao arrependimento dos seus pecados e à aceitação de Cristo como Salvador e Senhor. Mas essa obra acaba sendo neutralizada na vida daqueles que resistem persistentemente aos apelos do Espírito Santo. Assim, entristecem o Espírito Santo (Efésios 4,30) e apagam a Sua influência sobre a consciência individual (1 Tessalonicenses 5,19). Com o coração endurecido pelo orgulho (Hebreus 3,7-15), perdem a sensibilidade espiritual e as percepções morais, e acabam formando uma escala de valores distorcida, na qual a obra do Espírito Santo é muitas vezes atribuída a Satanás e a de Satanás, ao Espírito Santo.

Nas Escrituras encontramos vários casos de pessoas que pecaram contra o Espírito Santo. Por exemplo, Faraó, diante do qual Moisés e Arão realizaram grandes sinais e maravilhas, endureceu o seu coração a ponto de o Espírito de Deus não mais ter acesso a ele (Êxodo 5 a 12). Judas Iscariotes não permitiu, a despeito das advertências de Cristo (Mateus 26,21-25), que o Espírito Santo o dissuadisse de trair o Mestre. Já Ananias e Safira mentiram ao Espírito Santo e foram punidos por isso (Atos 5,1-11). Sem dúvida, essas pessoas se perderam porque não permitiram que o Espírito Santo as levasse ao arrependimento.

Por outro lado, a Bíblia menciona também alguns indivíduos que se afastaram de Deus e acabaram se arrependendo posteriormente. Sansão, a respeito do qual é dito que “ele não sabia ainda que já o Senhor Se tinha retirado dele” (Juízes 16,20), clamou depois e a sua oração foi atendida (Juízes 16,28-30). Seu nome aparece entre os heróis da fé (Hebreus 11,32). Manassés foi talvez o pior rei hebreu, mas, após ser levado em cativeiro pelo exército assírio, ele se humilhou perante Deus e empreendeu uma significativa reforma religiosa em Judá (2 Reis 21,1-18; 2 Crônicas 33,1-20). Esses exemplos revelam que mesmo casos aparentemente sem esperança podem ser revertidos, se a pessoa se humilhar perante Deus e clamar por socorro.

Diante disso, podemos concluir que o pecado contra o Espírito Santo é jamais reconhecer os próprios erros. Enquanto a pessoa reconhece que está errada e que deve mudar, ela pode ter certeza de que não foi longe demais. Aqueles que indagam se por acaso não cometeram o pecado imperdoável demonstram por essa atitude que sua consciência não perdeu completamente a sensibilidade. Quando a pessoa não mais reconhece seus próprios erros, ela se encontra no caminho perigoso. Mesmo assim, não podemos perder a esperança. Experiências como as de Sansão e Manassés revelam que mesmo pessoas totalmente degeneradas podem voltar a Deus, se derem ao Espírito Santo a oportunidade de realizar a Sua obra regeneradora.


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